quarta-feira, 28 de novembro de 2012


 
 
 
Muito interessante se alguns de vocês que pretendem ser profissionais de educação física, gostariam de trabalhar com a terceira idade. Achei esse artigo, um pouco grande porem vale a pena ler.

Terceira idade: Fisiologia
Para os cientistas, a terceira idade, ou, como estamos usando atualmente, a melhor
idade: começa aos 60 anos. O conceito de terceira idade tem sido variável. Há quem diga que
existe a “boa idade. A idade mostrada na carteira de identidade pode ser superior a 50 anos,
mas a mente, o espírito da pessoa é que mostra realmente a idade que ela tem. Aquela frase,
cujo autor desconhecemos, mas que diz: “há idosos aos 20 anos e há jovens aos 90”, mostra
bem como é essa realidade.
Muita gente liga terceira idade como pessoas impossibilitadas, esquecendo que a
terceira idade é onde carregamos o amadurecimento, e existe muito idoso que mantém vivo o
espírito jovem.
O envelhecimento é um processo continuo durante o qual ocorre declínio progressivo de
todos os processos fisiológicos. Ao se manter um estilo de vida ativo e saudável, podem-se
retardar as alterações morfofuncionais que ocorrem com a idade. As artérias diminuem a sua
elasticidade favorecendo o aumento da pressão arterial. Ao redor dos 60 anos é observada
uma redução de força máxima muscular, entre 30 e 40%, o que corresponde a uma perda de

força de cerca de 6% por década. Ocorre também redução da massa óssea, principalmente em
mulheres, caracterizando-se em osteoporose, que pode predispor á ocorrência de fraturas.
Isso nos mostra algumas das deficiências encontradas pelos idosos, pois a redução de
força inflüência no cotidiano.
Segundo Carvalho e Netto (2000), o processo íntimo do envelhecimento não é
conhecido, sendo a única certeza o fato de tratar-se de uma situação que atinge a todos os
seres vivos. As principais teorias de envelhecimento se situam na análise das proteínas –
substâncias básicas na estrutura das células e conseqüentemente do organismo. As proteínas
são constituídas de elementos denominados aminoácidos que carregam dentro de si as
informações genéticas próprias de cada um, isto é, nosso patrimônio energético.
Tais alterações, evidentemente, respeitam as características genéticas de cada um e por
isso ocorre de maneira diferente em cada um de nós. Além desta alteração na função das
proteínas, observa-se também e como conseqüência, uma diminuição no número das células
existentes no organismo. O corpo com o tempo perde as células que o constituem, diminuindo
a sua massa e conseqüêntemente o seu peso.
Não se sabe a razão que leva as proteínas a apresentarem tais mudanças no seu
comportamento. Alguns cientistas acreditam que estas alterações que ocorrem com as
proteínas sejam favorecidas pelo acúmulo de radicais livres no organismo, fato que ocorre de
preferência na terceira idade.
Durante o processo de envelhecimento existem várias mudanças fisiológicas, se o
indivíduo não estiver pronto para aceitar tais mudanças terá uma vida cheia de problemas e
sofrimento, assim tornando-se uma pessoa depressiva, imaginando-se incapaz.

Durante a terceira idade ocorrem algumas alterações anatômicas, a estrutura começa a
diminuir aos 40 anos cerca de 1cm por década. Esta perca se deve a diminuição dos arcos do
pé, aumento das curvaturas da coluna, além de um encurtamento da coluna vertebral devido
as alterações nos discos intervertebrais. Os diâmetros da caixa torácica tende a aumentar. O
nariz e os pavilhões auditivos continuam a crescer dando a conformação típica facial do idoso.
Há alterações evidentes na composição do corpo com o aumento do tecido adiposo que
tende a se depositar nos momentos, na região Peri-renal e em substituição parênquima pedido
nos diversos órgãos. No tecido celular subcutâneo, diminui o tecido adiposo nos membros e
aumenta no tronco. O teor total do corpo diminui por perda de água intracelular, a perda de
água e potássio deve-se preferencialmente a diminuição geral do número de celulas nos
órgãos. Estas mudanças na composição do corpo levam a uma diminuição da massa
consumidora de oxigênio quando expressa por unidade de peso ou unidade de superfície.
Entre as alterações que ocorrem na terceira idade deve ser notada a queda da
imunidade, isto é, a diminuição de nossas defesas (diminuição na produção de anticorpos), o
que favorece o aparecimento de infecções e de tumores.
Observa-se também que no idoso há uma tendência ou aumento ou diminuição de
determinados hormônios que circulam no sangue e podem causar hipertensão arterial,
diabetes, alterações do sono e etc. O idoso produz menos hormônios pela glândula adrenal ou
DHEA, menos hormônios de crescimento, menos hormônios da tireóide, e menos melatonina.

No Brasil homens e mulheres com 60 anos ou mais, representam 9,3% da população de
quase 187 milhões de habitantes, e, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE, 2006), a tendência é que a quantidade de pessoas na faixa da maturidade
seja cada vez maior, devido à queda das taxas de mortalidade e de fecundidade e ao aumento
da longevidade. Em 2020, os idosos devem representar 11,3% da população, prevista para 219
milhões de habitantes.
Observando esse crescimento expressivo da população idosa, conciliando com o acesso
a informação, é perceptível um aumento de idosos na procura de exercícios como a
musculação.
De acordo com um estudo realizado pelo By Fit Club, no bairro da Tijuca – RJ observouse
também que era preciso direcionar o seu trabalho à maturidade. Novais (2006), diz que o
perfil das academias mudou, “hoje a academia atende a família inteira, por isso, dedicamos
programas voltados à terceira idade, que já representa 30% dos alunos”, afirma. Para Novais
atualmente já existe uma variedade de exercícios físicos que podem ser aplicados para idosos
(...), “hoje, a evolução da filosofia de trabalho das academias permite que o idoso faça uma
série de exercício fora da piscina”, avalia com profissionais preparados, o empresário diz ainda
que é possível realizar exercícios de alongamento e musculação, entre outros.

Estudos da universidade de Stanford (EUA, 2005) comprovam que a musculação para
idosos, praticados algumas vezes por semana é ideal para ganhar massa muscular e melhorar
o equilíbrio corporal. Os estudos relatam que quando os idosos mantêm uma rotina de
treinamento adequado e regular, conseguem adquirir ótimos resultados para saúde e que
mesmo os indivíduos mais fracos podem adquirir melhoria com a musculação.
Segundo Santarém (s/d), os chamados exercícios resistidos, ou exercício contraresistência,
geralmente são realizados com pesos, embora existam outras formas de oferecer
resistência à contração muscular. Musculação é o termo mais utilizado para designar o
treinamento com peso, fazendo referência ao seu efeito mais evidente, que é o aumento da
massa muscular. Assim sendo, musculação não é uma modalidade esportiva, mas uma forma
de treinamento físico. Do ponto de vista funcional, os exercícios com pesos, desenvolvem
importantes qualidades de aptidão, constituindo uma das mais completas formas de
preparação física. Uma das características mais marcantes dos exercícios com peso é a
facilidade com que podem ser adaptados à condição física individual, possibilitando até mesmo
o treinamento de pessoas extremamente debilitadas. Pela ausência de movimentos rápidos e
desacelerações, os exercícios com pesos apresentam também baixos risco de lesões
traumáticas.
O idoso encontra na musculação uma forma de atividade que se adapta a ele,
independente das valências físicas de cada indivíduo, de um modo completo da preparação
física.

Segundo Launstein (2006), musculação tem por objetivo aumentar a massa muscular, a
densidade óssea, aperfeiçoando o desempenho relacionado a força, melhorando a condição
funcional do aluno, fazendo com que ele realize os esforços da vida diária com mais
segurança, disposição e facilidade. Além disso, a incidência de lesões durante a aula é muito
reduzida, em função da ausência de choques entre as pessoas, de movimentos violentos e
mínimo risco de quedas.

Para ambos os sexos dos idosos, a prática de exercício é importante para o
desempenho das atividades diárias, assim se diminuir a prática destes exercícios diminui a
capacidade de realizações dessas atividades. Além da perda de força, a capacidade do
músculo de exercer força rapidamente parece diminuir com a idade. Essa habilidade é vital e
pode servir como um mecanismo protetor nas quedas, uma das causas mais importantes de
lesões domésticas. Assim as atividades musculares devem ser o principal objetivo do
treinamento de idosos devido ao fato de que existem muitas lesões advindas de quedas.
Pessoas idosas e sedentárias devem ser treinadas com pesos com os mesmos
cuidados dispensados às crianças e aos adolescentes, com mais uma precaução: as
amplitudes dos movimentos precisam ser cuidadosamente adaptadas para cada caso
individual. Freqüêntemente, idosos apresentam retrações capsulares e processos
degenerativos articulares que impedem grandes amplitudes de movimento. Ao programarmos
os exercícios com peso no cotidiano dos idosos, estamos fazendo uso de um artifício para
reduzir os declínios de força e massa muscular relacionados com a idade à medida que esta
avança. Mantermos níveis altos de força possíveis para cada indivíduo é fundamental para
uma boa qualidade, principalmente para o bem estar psicológico do praticante de mais idade,
fazendo o mesmo sentir-se mais ativo e principalmente independente.
Podemos ver que com o passar dos anos a fraqueza dos músculos pode avançar até
que uma pessoa idosa tenha dificuldades ou não possa mais realizar as atividades comuns da
vida diária, tais como as tarefas domésticas, levantar de uma cadeira, varrer o chão, jogar o
lixo fora, levantar objetos, subir escadas ou ate mesmo caminhar. Esses trabalhos exigem uma
contração rápida dos músculos ou certo grau de potência para serem realizados. Em situações
mais extremas, esses músculos não podem suportar ou acompanhar os esforços, o organismo
fica desprotegido ocasionando as dificuldades funcionais, as quedas ou lesões osteoarticulares
responsáveis pelas dores.

Com a musculação o idoso poderá está apto a realizar atividades físicas diárias,
evitando que a freqüência de lesões ocorrida nessa idade seja diminuída de maneira
considerável. A saúde óssea é promovida pelas atividades físicas de sustentação de peso que
utilizam a força e a potência muscular, exercendo força sobre o esqueleto acima das
quantidades normais. Wilmore e Costill (1999) citam que o treinamento de força (resistence
Trainina), previne osteoporose é mais comum em mulheres que em homens, um terço das
mulheres desenvolve depois da menopausa.

Segundo o professor Cancellieri, o benefício da musculação ao portador de diabetes
deve-se ao aumento da massa muscular que proporciona uma elevação da taxa metabólica
basal. “Em outras palavras, como os exercícios com peso exigem maior gasto de energia,
ocorre maior “queima” de carboidratos e de gordura durante todo o dia“, por isso no diabetes o
desenvolvimento da massa muscular proporciona valores aticêmicos menores durante o dia”.
A velhice, além de alterações biológicas, traz mudanças psicológicas e sociais que
contribuem para o relacionamento do idoso consigo mesmo, com a família, amigos e a
sociedade. Os exercícios físicos trazem muitos benefícios, na terceira idade, conforme citações
de Nadeau & Peronnet (1985), aumentam a massa muscular, reduzem o percentual de gordura
corporal, aumentando a força do indivíduo, facilitando a sua locomoção, mantêm a pressão
sanguínea e a freqüência cardíaca dentro de padrões aceitáveis para a idade, dificultando o
acúmulo de colesterol no sangue entre outros. A musculação faz com que o indivíduo tenha
mais força, devido ao aumento da massa muscular evitando quedas que, segundo Fiatarone
apud Work (1991) acima de 65 anos, 40% dos indivíduos caem pelo menos uma vez por ano,
podendo ocorrer lesões, principalmente fraturas que reduzem a mobilidade articular. Em
conseqüência, ocorre uma sucessão de fatos tais como medo de executar movimentos
novamente, sedentarismo e doenças, acentuados pela má nutrição.

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